O Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT) acusou, este sábado, os órgãos de comunicação social angolanos de ignorarem denúncias e preocupações das populações da região Leste do país, rica em diamantes. Em nota de imprensa, o movimento lamenta o que considera ser uma postura de silêncio por parte da mídia nacional face aos acontecimentos nas Lundas.
O MPPLT apela à classe jornalística para que assuma, “com rigor”, o seu papel de informar com verdade e contribuir para a formação da consciência cívica dos cidadãos, denunciando alegada conivência com crimes registados na região.
Em resposta, o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Pedro Miguel, afirmou que não é possível confirmar nem desmentir a alegação de ausência de cobertura mediática sobre as actividades do movimento. Segundo explicou, o SJA não tem como função gerir ou orientar os conteúdos editoriais dos órgãos de comunicação social: “… a nossa missão centra-se na defesa da liberdade de imprensa e de expressão, bem como na protecção dos direitos dos jornalistas”, disse.
Pedro Miguel recomendou ainda que o movimento identifique concretamente os órgãos que, alegadamente, omitem a cobertura das suas actividades e apresente queixa junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana (ERCA) ou da Comissão da Carteira e Ética, para eventual apreciação nos termos da lei.
O responsável sindical acrescentou que cabe às direcções editoriais esclarecer as razões da ausência ou da limitada cobertura de temas relacionados com o Protectorado da Lunda.
Entretanto, o analista Valdemar Domingos considera que a falta de cobertura mediática de assuntos envolvendo o povo Lunda reflecte um problema estrutural no sector da comunicação social em Angola. Segundo afirma, apesar da existência de múltiplas televisões e rádios estatais, raramente se abordam temas ligados ao Protectorado das Lundas: “a ausência dos meios de comunicação social no cumprimento do seu dever de informar com verdade compromete a confiança dos cidadãos. Isso faz com que muitos deixem de ver a imprensa como uma instituição imparcial”, disse.
O analista aponta ainda para a influência de interesses políticos e económicos sobre os órgãos de comunicação social. “Não é possível que um assunto desta natureza não tenha cobertura nos meios tradicionais. Muitos desses órgãos estão ligados a figuras com poder político, o que condiciona a actuação dos seus profissionais”, afirmou.
Para Valdemar Domingos, uma alternativa viável passa pela criação de canais próprios de comunicação. “O movimento deve investir em meios alternativos, como plataformas digitais e redes sociais, para divulgar informações sobre as Lundas. Esperar por um posicionamento das estruturas oficiais pode não produzir resultados imediatos”, defendeu.
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