Ao discursar na 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, João Lourenço manifestou preocupação com o actual cenário internacional, que, segundo afirmou, aproxima o mundo “assustadoramente de uma conflagração global”, apontando para os conflitos na Europa, Médio Oriente, Golfo Pérsico e África, bem como para o aumento das tensões na região da Ásia-Pacífico.
O chefe de Estado angolano condenou o terrorismo e defendeu o respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas, apelando à recuperação do papel central da ONU na prevenção e resolução pacífica dos conflitos.
“Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da Lei”, afirmou João Lourenço, defendendo uma “profunda reflexão” no seio das Nações Unidas para encontrar soluções para a paz global.
No seu discurso, o Presidente angolano destacou também o envolvimento de Angola em iniciativas de prevenção e resolução de conflitos no continente africano, reiterando o princípio de “soluções africanas para os conflitos em África”.
João Lourenço apelou à implementação efectiva da Resolução 2719 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, destinada a assegurar financiamento previsível, adequado e sustentável às operações de apoio à paz lideradas pela União Africana e autorizadas pelo Conselho de Segurança.
Sobre o conflito israelo-palestiniano, o Presidente angolano condenou aquilo que classificou como “genocídio” contra populações palestinianas e criticou a expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia, defendendo igualmente o acesso das populações afectadas a água, alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.
João Lourenço manifestou ainda preocupação com os impactos económicos e humanitários dos conflitos na Ucrânia e no Irão, nomeadamente sobre a segurança alimentar e energética e as cadeias internacionais de abastecimento, citando os riscos associados à circulação marítima nos estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb.
O chefe de Estado angolano defendeu igualmente o fim do embargo imposto a Cuba, considerando que a medida contribui para agravar as condições de vida da população cubana, e recordou o papel desempenhado por Havana na luta contra o regime do apartheid na África do Sul.
Na intervenção, João Lourenço voltou a defender uma reforma profunda do Conselho de Segurança da ONU, para garantir maior representação de África, América Latina e Ásia, incluindo a possibilidade de integração destes continentes entre os membros permanentes com os poderes inerentes a essa condição.
Angola, acrescentou, reafirma o seu apoio à posição comum africana expressa no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte, defendendo uma maior participação do continente nas decisões internacionais sobre paz e segurança, financiamento ao desenvolvimento, alterações climáticas e governação da inteligência artificial.
O Presidente angolano associou ainda a paz ao desenvolvimento económico e apelou à reforma da arquitectura financeira internacional, ao alívio da dívida dos países africanos, à transferência de tecnologia e ao aumento da participação dos países em desenvolvimento nas instituições financeiras internacionais.
Segundo João Lourenço, o elevado custo do serviço da dívida limita a capacidade dos países africanos de investir em sectores como saúde, educação e infra-estruturas, aprofundando as desigualdades económicas e sociais.
Sobre as alterações climáticas, defendeu mecanismos de financiamento climático previsíveis, acessíveis e adicionais, que não contribuam para aumentar o endividamento dos países em desenvolvimento.
O chefe de Estado angolano abordou também a inteligência artificial e o Pacto Digital Global, defendendo que a transformação digital deve contribuir para melhorar sectores como educação, saúde, agricultura, serviços públicos e investigação científica.
João Lourenço considerou necessária uma maior cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e triangular, de modo a reduzir o fosso digital e evitar que as novas tecnologias sejam utilizadas como instrumentos de dependência e desigualdade.
A intervenção ocorreu no ano em que Angola assinala 50 anos da sua adesão à Organização das Nações Unidas, em Dezembro de 1976. O Presidente recordou o contexto da Guerra Fria em que o país alcançou a independência e posteriormente viveu um prolongado conflito armado, concluído com o acordo de paz de Abril de 2002.
Nesse âmbito, destacou as iniciativas de reconciliação nacional promovidas pelo Estado angolano e anunciou a inauguração, em Outubro, em Luanda, de um monumento em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos no país entre a independência e o alcance da paz.
Na parte final do discurso, João Lourenço referiu-se à escolha do próximo secretário-geral das Nações Unidas, defendendo que o sucessor de António Guterres deverá reunir características como independência, integridade, competência e capacidade para construir consensos e defender a Carta das Nações Unidas.
“Seremos avaliados no futuro pela nossa capacidade de substituir a confrontação pelo diálogo, a competição predatória pela cooperação, a exclusão pela solidariedade e a força das armas pela força do Direito”, afirmou.
“Por esta razão, a Organização das Nações Unidas deve se dotar das ferramentas e dos meios adequados” para cumprir os objectivos definidos para a sua 81.ª Assembleia Geral, concluiu o Presidente angolano.
Se quiser, posso também  transformar este texto numa versão Lusa mais curta, de 7 a 8 parágrafos,  centrada apenas nas declarações de João Lourenço sobre Rússia-Ucrânia, Palestina, Irão, ONU e reforma do Conselho de Segurança.
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