A política angolana atravessa uma crise que já não é apenas económica ou institucional. Trata-se de uma crise moral. A cada novo escândalo que emerge nas redes sociais, cresce entre os cidadãos a percepção de que parte da elite dirigente perdeu completamente a noção de responsabilidade pública e de respeito pelas instituições do Estado.
Os vídeos, áudios e denúncias que circulam frequentemente no espaço digital — verdadeiros ou manipulados — revelam algo ainda mais profundo do que o simples escândalo mediático: mostram o descrédito das figuras políticas perante uma população cansada da pobreza, do desemprego e da arrogância do poder. Em muitos casos, os dirigentes aparecem associados a luxos obscenos, relações promíscuas de poder e suspeitas de favorecimento sexual em troca de cargos ou benefícios, num país onde milhares de jovens sobrevivem sem perspectivas.
O problema deixa de ser individual quando os episódios se repetem ao longo dos anos e atingem diferentes figuras do aparelho do Estado. A sociedade começa então a questionar se determinadas práticas não se tornaram parte da própria cultura política do regime. Gabinetes públicos deixam de simbolizar serviço ao povo e passam a ser vistos como espaços privados de privilégios, intimidação e abuso de influência.
Num contexto de desigualdade extrema, a questão torna-se ainda mais grave. Muitas jovens entram em ambientes políticos ou administrativos carregando sonhos de ascensão profissional, mas acabam confrontadas com estruturas profundamente masculinizadas, clientelistas e hierarquizadas. O chamado “teste de sofá”, frequentemente denunciado em sociedades autoritárias e patrimonialistas, transforma mérito em moeda secundária. O corpo passa a valer mais do que a competência.
Ao mesmo tempo, a máquina partidária tenta quase sempre reagir da mesma forma: desmentidos rápidos, acusações de manipulação digital, silêncio institucional ou campanhas de intimidação contra quem denuncia. Ainda assim, a erosão da imagem pública continua. Porque o problema já não está apenas nos vídeos ou nos rumores; está na ausência de confiança entre governantes e governados.
O mais preocupante é que muitos desses dirigentes pertencem à geração que durante décadas apresentou-se como guardiã da moral revolucionária, do patriotismo e da libertação nacional. Hoje, para uma parte significativa da juventude, representam exactamente o contrário: decadência, privilégio e impunidade.
Numa democracia madura, qualquer denúncia envolvendo assédio, abuso de poder ou comportamento incompatível com funções públicas exigiria investigação séria, transparente e independente. Organizações de mulheres, deputadas, sociedade civil e instituições judiciais deveriam actuar sem medo partidário. O silêncio institucional apenas reforça a percepção de cumplicidade.
Angola não precisa apenas de reformas económicas. Precisa de uma reconstrução ética da política. Porque quando o poder perde a vergonha, o Estado perde autoridade moral perante o povo.
Daí a importância do Pacto apresentado pelo Presidente Adalberto Costa Júnior torna-se urgente e necessário .
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