Pedrowski Teka tem uma qualidade rara na política angolana: a capacidade de reinvenção periódica. De cinco em cinco anos — com a disciplina de um calendário eleitoral — apresenta ao público uma nova sigla, um novo projeto, uma nova promessa organizativa. Em 2017, lançou o Partido Jovem; em 2021, surgiu com a UPA; em 2026, apresenta a COPA. Mantido o ritmo, em breve teremos um partido por estação do ano. Não se sabe se estamos diante de um laboratório democrático itinerante ou de uma incubadora permanente de formações políticas, mas há que reconhecer: persistência e criatividade não lhe faltam.
A UNITA, importa sublinhar, nunca foi adversária do surgimento de novos partidos. Pelo contrário: o pluralismo partidário integra o seu ADN ideológico desde a fundação por Jonas Savimbi, em 1966. Nos princípios de Muangai, defendia-se expressamente a democracia assegurada pelo voto, num sistema de vários partidos políticos. A resistência armada entre 1975 e 1991 teve, entre os seus fundamentos políticos, a contestação ao modelo de partido único e a reivindicação do multipartidarismo em Angola.
Convém recordar que a abertura política que permitiu a institucionalização do pluralismo não resultou de uma concessão espontânea do MPLA. Foi produto de pressão histórica, desgaste militar, reconfiguração internacional e confronto político intenso ao longo dos anos 1980, num contexto regional marcado pela Guerra Fria. O sistema multipartidário angolano é, portanto, consequência de correlação de forças e não de benevolência governativa.
A UNITA não restringiu a sua retórica ao plano interno. No quadro da África Austral, Savimbi foi visto por simpatizantes como peça estratégica no xadrez regional, a tal “chave para África” evocada por defensores da democratização no espaço subsaariano — ainda que essa leitura permaneça controversa no debate historiográfico e político.
Assim, que floresçam partidos — grandes, médios e até os “partidecos” que emergem em vésperas eleitorais e se dissipam no ciclo seguinte. O pluralismo também se mede pela oferta, mesmo quando esta é efémera. No fim, será o eleitorado o árbitro soberano. Em 2027, o povo fará a triagem: distinguirá entre projectos estruturantes e iniciativas sazonais, entre engenharia política consistente e empreendedorismo partidário episódico. Até lá, seguimos atentos ao próximo lançamento da temporada.
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